quinta-feira, 5 de Novembro de 2009

Mão Morta (ainda mais) ballardianos

Fica a nota rápida de que os Mão Morta estão a trabalhar na composição dos temas que farão parte do próximo álbum, a ser lançado em 2010, quando comemoram 25 anos de carreira (*). Diz o Miguel Pedro que há J.G. Ballard pelo meio.

(*) Para mim, a celebração dos 25 anos iniciava-se já neste mês de Novembro, na data em que o Joaquim Pinto se juntou ao Adolfo e ao Miguel Pedro para juntos darem os primeiros passos enquanto Mão Morta, mas isso sou eu que o digo.

Na próxima segunda-feira, a Antena 3 vai passar a noite a recordar António Sérgio

Sete horas da emissão da Antena 3, na próxima segunda-feira, a partir das 19h, vão ser ocupadas a recordar António Sérgio, com diversos convidados. Mais pormenores na notícia do site da no Blitz.

Liberdade e irreverência na "música para uma nova tradição"

"A música tradicional como espaço de liberdade e de irreverência." A frase de Carlos Guerreiro, surgida a meio da actuação dos Gaiteiros de Lisboa resumia de forma particularmente feliz a noite de ontem e o espírito que atravessou não só as actuações dos quatro grupos envolvidos mas também a mensagem deixada pelo homenageado, João Aguardela, e que os seus amigos pretendem continuar a fazer passar através das iniciativas do projecto Megafone 5. Tradição, liberdade e irreverência estão nos Gaiteiros desde o primeiro disco, estão na folia de tasca dos Oquestrada, surgem subrepticiamente nos instrumentais dos Dead Combo, estão na voz de Maria Antónia Mendes, d'A Naifa. Não havia maneira de celebrar melhor esta ideia.

A história do Megafone 5 é uma história bonita desde o princípio. Há nove meses, logo na noite imediata ao funeral de João Aguardela, Nuno Calado, da Antena 3, liga o chat do gmail e põe-se à conversa com Pedro Gonçalves (o jornalista). "Temos que fazer qualquer coisa." A bola passa para depois para o Luís Varatojo e para a Sandra Baptista, que desenvolvem a ideia até chegar ao ponto em que a conhecemos hoje. Megafone 5 não foi apenas a habitual noite de homenagem. É um site (www.aguardela.com) com tudo sobre a obra do João, incluindo o download livre dos quatro volumes de Megafone, as transformações que o músico fez de recolhas da música tradicional portuguesa, e é também algo que vai muito mais longe e se projecta no futuro da música feita por cá, com a criação de um prémio para distinção da nova música tradicional portuguesa, em colaboração com a SPA. E tudo isto começou com um "temos que fazer qualquer coisa".

Voltando à noite de ontem, a coisa começou por ameaçar correr mal. Os Gaiteiros de Lisboa, que continuo a ter para mim como um dos dois ou três melhores grupos portugueses, especialmente ao vivo (embora, infelizmente, isso pareça ser cada vez coisa mais rara), tiveram um som baixíssimo. Sou quase capaz de jurar que a percussão não estava amplificada. Em dias normais, a percussão dos Gaiteiros esmaga-nos contra as costas das cadeiras. Ainda por cima, o grupo aproveitou para introduzir variações particularmente curiosas nos temas (um deles até era, aparentemente, inédito). Depois da experiência do "Três Cantos", comecei até a recear que viesse aí a moda do "veja primeiro, oiça depois (com o CD e DVD)". Contudo, os níveis de volume atingiram o desejável na actuação seguinte, com os Oquestrada. E aqui o público acordou. Com a vocalista Miranda, sempre despachada, sempre irrequieta (o raio da mulher não aguenta mesmo o palco, passeia pela plateia, mete-se com fotógrafos e espectadores), a festa instalou-se no grande auditório do CCB. Só foi pena a actuação do "fadista pugilista" -- figura de Alfama que costuma animar, e bem, a "Incrível Tasca Móvel", o espectáculo que os Oquestrada têm com os Anonima Nuvolari -- que fugia constantemente aos tempos do fado que saía dos Casios do Lima e do Donatello (fado com Casios, claro -- "liberdade e irreverência"). Depois do intervalo, os Dead Combo levaram o espectáculo para o terreno da serenidade que tão bem conseguem recriar, especialmente em ambientes como estes do CCB. E se esta noite era como que um showcase da "música para uma nova tradição", aos Dead Combo ficou nitidamente atribuído o papel de enunciar que não é preciso cantar, nem tão pouco recriar ponto por ponto as frases melódicas e rítmicas da muitas músicas tradicionais portuguesas para conseguir exprimir algo que é intrinsecamente nosso. Para o final, veio A Naifa. Ao primeiro tema, o lugar de Aguardela estava ali guardado, vazio, mas poucos esperavam (nem tão pouco alguns dos elementos da própria organização) que aquele espaço viesse a ser ocupado pela... Sandra Baptista. E houve mais momentos bonitos e enternecedores na actuação d'A Naifa, como aquele em que a vocalista Maria Antónia Mendes revelou à audiência a história por trás das letras de "Uma Inocente Inclinação para o Mal", o último álbum do grupo. No disco, as letras surgem creditas a Maria Rodrigues Teixeira. Era o nome de uma avó de João Aguardela, e, afinal, era ele o verdadeiro autor das letras, sem sequer a própria banda o ter sabido na altura...

Foi uma noite muito bonita, muito bonita mesmo.

Uma sinfonia agridoce luso-argentina

Lembram-se da polémica "Bitter Sweet Symphony" vs. "The Last Time" ou, melhor, The Verve vs. Jagger/Richards? Pois agora oiçam isto e, depois, isto.

quarta-feira, 4 de Novembro de 2009

A grande noite de homenagem a Aguardela



É hoje que Gaiteiros de Lisboa, Oquestrada, A Naifa e Dead Combo se reúnem no palco do Grande Auditório do CCB para prestar tributo a João Aguardela, desaparecido a 18 de Janeiro deste ano. O espectáculo ganhou o nome "Megafone 5", na sequência do projecto de recolha e tratamento de música popular portuguesa que Aguardela vinha a fazer desde o final dos anos 90 e que ficou documentado ao longo de quatro discos. O preço dos bilhetes para esta noite é 20€, qualquer que seja o lugar. Esta é uma das três faces sob as quais se reveste o tributo ao músico e ao seu trabalho, à qual se junta o site www.aguardela.com e o prémio anual para a distinção da nova música tradicional portuguesa, criado em parceria com a Sociedade Portuguesa de Autores.

terça-feira, 3 de Novembro de 2009

Charadas #532

segunda-feira, 2 de Novembro de 2009

Barreiro Rocks 2009: o cartaz!

Já foi divulgado o cartaz da próxima edição do Barreiro Rocks, que este ano decorre em Dezembro (11 e 12), um pouco mais tarde do que é habitual. Kid Congo é o principal nome deste fim-de-semana de rock'n'roll sempre a partir, mas há muito mais para ver, ouvir e sentir de uma forma geral:

11 Dezembro
22.00h – Singing Dears (Barreiro, Portugal)
23.00h – Destination Lonely (Perpignan, França)
00.00h – Tokyo Sex Destruction (Barcelona, Espanha)
01.00h – Kid Congo & The Pink Monkey Birds (Washington, EUA)
After:
02.30h – [D-66] (Londres, RU)
03.30h – Los Santeros (Chihuahua, México)

12 Dezembro
22.00h – Shake Shake & Show Me Your Pussy (Alcobaça, Portugal)
23.00h – The Sullens (Barreiro, Portugal)
00.00h – Jon Ulecia & Cantina Bizarro (Pamplona, Espanha)
01.00h – Tav Falco's Panther Burns (Memphis, EUA)
After:
02.30h – ALTO! (Barcelos, Portugal)
03.30h – Los Chicos (Madrid, Espanha)

É de contar também, em ambas as noites, com a presença já habitual do norte-americano DJ Shimmy a rodar 7".

Quatro EPs de remisturas para El Guincho, mas nada de propriamente novo no horizonte próximo

Enquanto se espera e desespera por aqui por algo de realmente novo que venha a suceder ao álbum "Alegranza", de 2007, o canário El Guincho prepara-se para lançar quatro EPs de remisturas dos temas "Antillas" e de "Kalise". A edição é da Young Turks, nos formatos 12" e mp3. As remisturas de "Antillas" saem no próximo dia 23 de Novembro, não havendo data ainda para os restantes EPs.


Antillas (Original)
Antillas (XXXchange Remix)
Antillas (Cee (Al Haca) Remix)
Antillas (Banana Clipz (Bersa Discos) Remix)


Antillas (Original)
Antillas (Architecture in Helsinki Remix)
Antillas (Prins Thomas Diskomiks)
Antillas (Bass Clef Remix)


Kalise (Original)
Kalise (Tanlines Remix)
Kalise (Delorean Remix)
Para Que Celebren Todos


Kalise (Frikstailers [ZZK] Remix)
Kalise (Jools MF Remix)
Kalise (Kubo Remix)
Kalise (Mumdance Remix)

Zu, hoje e amanhã, no Porto e em Lisboa



Hoje, no Passos Manuel. Amanhã, na ZDB. (Mike Patton não incluído.)

Charadas #531

domingo, 1 de Novembro de 2009

As estepes encontram-se ainda mais desoladas. Morreu António Sérgio.

A morte é sempre uma má notícia, mas custa ainda mais quando a recebemos sem por ela esperarmos. Fiquei a saber há instantes que desapareceu um dos meus heróis de adolescência, que me ensinou a gostar de música sem fronteiras de qualquer espécie, uma companhia de muitas noites ligadas à rádio. Ainda há dias me interrogava pela aproximação do seu 60º aniversário. Infelizmente, já não vai acontecer. António Sérgio faleceu na noite de ontem, vítima de problemas cardíacos. O meu pensamento vai agora para a Cristina (vocês eram sempre o casal mais bonito que eu encontrava nos concertos), para os filhos e para todos que de perto trabalharam com ele.
O corpo do Sérgio vai ser velado hoje na Basílica da Estrela, a partir das 18h.
Notícia do DN
Notícia do Público

ACTUALIZAÇÃO:
Informa o Nuno Calado no Facebook que se realiza amanhã, pelas 15h, missa de corpo presente na Basílica da Estrela, seguindo depois o funeral para o cemitério dos Prazeres.

sexta-feira, 30 de Outubro de 2009

Charadas #530

quinta-feira, 29 de Outubro de 2009

20 anos depois do assassinato de José Carvalho



Amanhã, sexta-feira, na Caixa Económica Operária. Mais informações aqui.

Charadas #529

quarta-feira, 28 de Outubro de 2009

Charadas #528

terça-feira, 27 de Outubro de 2009

Mixtape da Casa #8



Contribuições:
José Mário Branco "Dedicatória" (Portugal, 1978)
Alexander von Borsig "Hiroshima" [excerto] (Alemanha, 1982)
Rigo Star et Kanda Bongo Man "Week End" (Congo-Kinshasa, 1985)
Mekongo "Me Bowa Ya" (Camarões, 1981)
Frantal Tabu & Orchestre Malekesa du Zaire "Asali" (Congo-Kinshasa, 1984?)
Animal Collective "Summertime Clothes" (EUA, 2009)
Fool's Gold "Poseidon" (EUA, 2009)
CAN "Moonshake" (Alemanha, 1973)
Alexander von Borsig "Hiroshima" [excerto] (Alemanha, 1982)
Fausto "O Romance de Diogo Soares" (Portugal, 1982)
Os Mutantes "2000 e Agarrum" (Brasil, 2009)
Motörhead "Jumpin' Jack Flash" (Inglaterra, 2000 / versão de Rolling Stones)
The Vicious Five "Your Mouth is a Guillotine" (Portugal, 2005)
The Cramps "New Kind of Kick" (EUA, 1981)
The Sonics "Have Love, Will Travel" (EUA, 1965 / versão de Richard Berry)
Sérgio Godinho "Parto Sem Dor" (Portugal, 1979)

52'55" / 121MB

Disponível aqui e agora também no mixcloud.com (som ligeiramente pior, devido às restrições da dimensão do ficheiro):

PÁRA TUDO. PAVEMENT CONFIRMADOS NO PRIMAVERA SOUND

E eis que o desejo aqui formulado há dias ganhou mesmo corpo. OS PAVEMENT VÃO AO PRIMAVERA SOUND DE BARCELONA! Foi a própria organização que confirmou a presença dos norte-americanos no cartaz, através de notícia avançada hoje no site oficial. Hoje também foram postos à venda os bilhetes que, até 30 de Novembro, custam 95€ (mais comissões).

Alguém se lembra do que é uma surpresa?

Por falar em Blitz, não resisto a voltar a citar aqui parte de uma das crónicas de Miguel Esteves Cardoso publicou no jornal fez ontem, curiosamente, cinco anos:

A BATALHA MAIS IMPORTANTE DO NOSSO TEMPO

«(...) Alguém se lembra do que é uma surpresa? Alguém se lembra de ouvir uma estação de rádio e não fazer ideia da música que vão passar a seguir?
«Faz parte da essência do entretenimento sermos entretidos. Mesmo na mais primitiva história da carochinha, a narrativa é concebida para nos colocar numa situação deliciosa de impotência e de captura: 'O que irá acontecer a seguir?'.
«Na música, precisamos da mesma dependência: temos de ser assaltados; confrontados; sacudidos; perturbados; comovidos. Se ouvimos um bom programa de rádio, temos de sentir que 'isto, sim, é música!' ou 'não, isto não pode ser música!' ou, melhor do que tudo, 'será isto música?'.
«Hoje, quando ligamos o rádio, apenas bocejamos: vemo-nos ao espelho. Isto aqui é para as minhas filhas; isto é para a minha empregada; isto é para os meus pais e, mais desolador de todas as experiências, isto aqui é para mim. (...)
«Impõe-se a desobediêcia; o comportamento imprevisível e a recusa absoluta de ser segmentado, arrumado e classificado. E sempre que lhe pedirem para responder a uma sondagem, sacrifique uns minutos e responda tudo torto. (...)»

22 anos do Blitz mais três anos da Blitz dá igual a 25

No próximo dia 6 de Novembro, celebram-se os 25 anos passados desde a primeira edição do jornal Blitz (na foto - para as páginas interiores desta e de outras edições do primeiro ano do jornal, aconselha-se vivamente uma visita a ovelhoblitz.blogspot.com). O jornal semanal, enquanto tal, sobreviveu pouco mais de duas décadas. Em 2006, mudou de sexo (transformou-se em revista), passou a mensal, abraçou definitivamente o mainstream e as agendas comerciais dos principais agentes do mercado musical português, redefiniu de forma a sua presença na web (de forma notável, diga-se) e afastou, assim parece, as piores tempestades que pairavam sobre a publicação.

Na próxima sexta-feira, sai às ruas com a edição comemorativa destes 25 anos, um número especial onde também se aproveita para celebrar "as últimas cinco décadas da melhor música portuguesa". A primeira incursão nessa celebração foi já dada entretanto, com a publicação online da lista dos melhores álbuns portugueses da década de 60, de acordo com a votação de um painel composto por críticos, músicos, editores, promotores, etc.:

1. Carlos Paredes - Guitarra Portuguesa
2. Amália Rodrigues - Busto
3. José Afonso - Cantares de Andarilho
4. Filarmónica Fraude - Epopeia
5. Alfredo Marceneiro - The Fabulous Marceneiro
6. Adriano Correia de Oliveira - Margem Sul
7. José Afonso - Contos Velhos Rumos Novos
8. José Afonso - Baladas e Canções
9. Carlos e Lucília do Carmo - Fado Lisboa - An Evening at The Faia
10. Pop Five Music Incorporated - A Peça

Charadas #527

segunda-feira, 26 de Outubro de 2009

ZDB até ao fim do ano



A ZDB prepara-se para receber, até ao fim do ano, um cartaz com imensas estreias e regressos, com especial pendor para as indiezices norte-americanas, tirando uma ou outra excepção. Já nesta próxima sexta-feira, a noite é de kraut rock, mas não há alemães envolvidos. Dos EUA, vêm os Cave, que terão os portugueses Häsqvarna na primeira parte. Depois, na terça da semana seguinte, um dos pontos mais altos da programação e um desejo várias vezes formulado aqui pelo gerente do tasco ao longo dos últimos anos, com o regresso dos italianos ZU (na foto), que terão também eles um projecto português na primeira parte (Ricardo Martins, o baterista dos Lobster a apresentar-se a solo sob a designação R-). No dia 7 de Novembro, a noite é dos americanos Emeralds (ou de 2/3 deles), aos quais se junta Stellar Om Source, que regressa a Portugal depois da primeira parte dos Lightning Bolt no parque de estacionamento. Dia 12 há mais americanos, Tiny Vipers, Grouper e Inca Ore, e um português, o inefável Norberto Lobo. No dia seguinte, o UM - Festival Internacional para Intermédia Experimental toma conta da ZDB para uma noite de freestyling e outras improvisações. O mês prossegue com Matteah Baim, Domingo no Quarto (estreia do novo projecto de Mariana Ricardo, ex-Pinhead Society, actual München, e Manuel Dordio), If Lucy Fell (em colaboração com a fotógrafa inglesa Jemima Stehli) e Vetiver, que regressam à ZDB. Finalmente, em Dezembro, e como já aqui se anunciou, o regresso da inglesa Scout Niblett e, depois, a estreia por cá dos Wavves, do puto traquinas Nathan Williams, depois da data gorada em Maio. Eis a programação tal como a conhecemos hoje:

Sexta, 30 de Outubro às 23h00
CAVE (US) + HÄSQVARNA (PT)
Entrada : €6

Terça, 3 de Novembro às 22h00
ZU (IT) + R- (PT)
Entrada : €10 (à venda na Flur e na Louie Louie)

Sábado, 7 de Novembro às 23h00
MARK McGUIRE (EMERALDS/US) + STELLAR OM SOURCE (NL) + STEVE HAUSCHILDT (EMERALDS/US)

Quinta, 12 de Novembro às 22h00
TINY VIPERS (US) + GROUPER (US) + NORBERTO LOBO (PT) + INCA ORE (US)
Entrada : €12 (à venda na Flur e na Louie Louie)

Sexta, 13 de Novembro às 22h00
UM - FESTIVAL INTERNACIONAL PARA INTERMÉDIA EXPERIMENTAL
BASS CLEF (UK) & GABRIEL FERRANDINI (PT) & INFINITE LIVEZ (UK/DE) & DJ SNIFF (US/NL) & TEAM BRICK (UK) & KATAPULTO (UK/PL) & ALFREDO CARAJILLO (PT) + WHIT (PT)
Entrada : €8

Sexta, 20 de Novembro às 23h00
MATTEAH BAIM (US) + DOMINGO NO QUARTO (PT)

Sexta, 27 de Novembro às 23h00
IF LUCY FELL (PT) + JEMIMA STEHLI (UK)

Sexta, 30 de Novembro às 23h00
VETIVER (US) + FRUIT BATS (US)
Entrada : €10 (à venda na Flur e na Louie Louie)

Quarta, 16 de Dezembro às 22h00
SCOUT NIBLETT (UK)

Sábado, 19 de Dezembro às 23h00
WAVVES feat. ZACH HILL(US)

Charadas #526

sábado, 24 de Outubro de 2009

Que força é essa, amigo?

(Um pequeno aviso: quem pretende desfrutar plenamente dos concertos do Porto, na próxima semana, deve imediatamente saltar este texto, diria eu...)

Não foi o espectáculo do ano. Mas isso sou eu que o digo, forreta (e teso) que comprei bilhete para uma galeria de segunda, a onde o som chegava baixinho e disforme, os três cantos transformavam-se em quatro com ajuda do vizinho desafinado do lado ou a percussão ganhava outro tom nas palmas do vizinho de trás.

Logo à primeira canção, “Guerra e Paz”, percebe-se que o espectáculo é para ser conjugado no plural. Os três músicos cantam em coro “ainda agora aqui chegámos” em vez do “ainda agora aqui chegado” que Sérgio Godinho cantava no original e, num estilo frequente ao longo da noite, os músicos repartem a interpretação dos versos, cruzam-se nas palavras de uns e de outros sem nunca se chocarem. A camaradagem cultivada ao longo de anos está ali sobre-evidenciada e as autorias confundem-se em palco, como se não houvesse canções do Sérgio, do Zé Mário ou do Fausto, mas de todos os três. Há pequenos desvios a esta ideia, quando cada um deles fica sozinho em palco. Aí volta a ideia que fazíamos de cada um dos músicos, aí ressaltam ao ouvido as diferenças. José Mário Branco é aquele que expande musicalmente mais o seu reportório, ilustração trazida, por exemplo, no jazz ao estilo de Big Band em “Onofre”, com Carlos Bica e José Peixoto. Fausto é o melhor cantor e aquele que leva o alinhamento mais próximo da tradição música popular portuguesa, com toques beirões (fez falta poder-se dançar naquela arena maldita). Sérgio Godinho é o poeta, por excelência, entre os três, e fez terminar o seu momento a solo com uma arrepiante interpretação de “O Primeiro Dia”.

Feitas as actuações a solo, e outras a dueto, onde curiosamente numa das quais, Sérgio Godinho e José Mário Branco cantaram “Se tu Fores Ver o Mar (Rosalinda)”, do ausente Fausto (lá está, a canção ontem não era do Fausto, era de todos), voltou-se a baralhar tudo de novo. Se a banda de suporte era composta de excelência e se os arranjos eram magníficos (todo o receio que Sérgio Godinho trouxesse os seus roqueiros era infundado, felizmente), o momento em que os três músicos ficaram sozinhos com as suas guitarras acabou por ser um dos mais especiais da noite. Tirando o final (já lá vamos), terá sido o momento em que houve maior aproximação com o público. Nisto – ou na falta disto – residiu talvez um dos maiores defeitos do espectáculo, aliás. Já seria de esperar que um espectáculo deste género, apoiado numa grande produção, onde tudo precisa de ser ensaiado ao detalhe, onde quase tudo é encenado e repetido, perca depois naqueles outros aspectos que alguns de nós valorizamos mais. Faltou um pouco de improvisação, um pouco de anarquia, um pouco de mijo fora do penico, um pouco daquelas coisas que ajudam a que um espectáculo se torne verdadeiramente único e inesquecível nas memórias. Nesse sentido, e sem querer dramatizar excessivamente, “Três Cantos” é um produto moderno, como aqueles que encontramos nos supermercados, hermeticamente embalados, obedientes a todas as normas de higiene e segurança. Mas, atenção, é bom e é saudável.

Regressou a banda de suporte e surgiu a semi-surpresa (alguns já sabiam) no tributo a José Afonso, em “De Não Saber o que Me Espera”. Foi a parte mais emotiva do espectáculo, com “Ser Solidário”, “Mudam-se os Tempos…” , uma versão arrasadora de “Que Força É Essa”, o melhor momento da noite, e ainda o inesperado tema principal do filme “A Confederação”. “Inquietação” fechou de forma soberba o primeiro encore e, para o regresso, outra surpresa em palco, o momento da noite que mais contribuiu para desfazer a ideia de pouco arrojo de que falava no parágrafo anterior. Sob uma intensa tempestade debitada pelo PA, os técnicos de palco rapidamente montaram dezenas de tripés de microfone à boca do palco, para de seguida surgirem todos os músicos ali à frente, em meia-lua, para cantarem, quase sem ajuda do sistema sonoro, “Na Ponta do Cabo”. Mal se ouvia na galeria de 2ª, mas, visualmente, era um final perfeito.

Agora é esperar pela edição em CD e DVD, cuja edição se prevê, de acordo com os panfletos, daqui a apenas dois meses.


Alinhamento de “Três Cantos”:

Os três, com a banda:
1. Guerra e Paz [L e M: Sérgio Godinho; de Era Uma Vez um Rapaz, 1985]
2. Travessia do Deserto [L e M: José Mário Branco, de Ser Solidário, 1982]
3. Como um Sonho Acordado [L e M: Fausto, de Por Este Rio Acima, 1982]
José Mário Branco e Sérgio Godinho:
4. Barca dos Amantes [L: Sérgio Godinho; M: Milton Nascimento; de Coincidências, 1983]
José Mário Branco (c/Carlos Bica e José Peixoto):
5. Onofre [L e M: José Mário Branco; de Resistir é Vencer, 2004]
6. Emigrantes da Quarta Dimensão (Carta a J.C.) [L e M: José Mário Branco; de Correspondências, 1990]
José Mário Branco e Fausto:
7. Mariazinha [L e M: José Mário Branco; de Mudam-se os Tempos, Mudam-se as Vontades, 1971]
Fausto:
8. Eis Aqui o Agiota [L e M: Fausto; de A Ópera Mágica do Cantor Maldito, 2003]
9. Adeus Orelhas de Abano [L e M: Fausto; de A Ópera Mágica do Cantor Maldito, 2003]
10. A Nova Brigada dos Coronéis de Lápis Azul [L e M: Fausto; de A Ópera Mágica do Cantor Maldito, 2003]
Sérgio Godinho:
11. O Velho Samurai [L e M: Sérgio Godinho; de Ligação Directa, 2006]
12. Cuidado com as Imitações [L e M: Sérgio Godinho; de Campolide, 1979]
13. O Primeiro Dia [L e M: Sérgio Godinho; de Pano-Cru, 1978]
José Mário Branco e Sérgio Godinho:
14. Se tu Fores Ver o Mar (Rosalinda) [L e M: Fausto; de “Madrugada dos Trapeiros”, 1977]
Os três:
15. Quatro Quadras Soltas [L e M: Sérgio Godinho; de “Campolide”, 1979]
Os três, mas sozinhos, sem banda:
16. Canto dos Torna-Viagem [L e M: José Mário Branco; de Resistir é Vencer, 2004]
17. A Ilha [L e M: Fausto; de Por Este Rio Acima, 1982]
18. Não Canto Porque Sonho [L: Eugénio de Andrade; M: Fausto e António Pedro Braga; de P’ró que Der e Vier, 1974]
19. O Charlatão [L: Sérgio Godinho; M: José Mário Branco; de Sobreviventes, 1971, e Mudam-se os Tempos, Mudam-se as Vontades, 1971]
Os três, já com a banda de regresso:
20. De Não Saber o que me Espera [L e M: José Afonso; de Fura Fura, 1979]
21. Ser Solidário [L e M: José Mário Branco; de Ser Solidário, 1982]
22. Faz Parte (O Retorno das Audácias) [Inédita]
23. Olha o Fado [L e M: Fausto, de Por Este Rio Acima, 1982]
24. Mudam-se os Tempos, Mudam-se as Vontades [L: Luiz Vaz de Camões; M: Fausto; de Mudam-se os Tempos, Mudam-se as Vontades, 1971]
25. Foi por Ela [L e M: Fausto; de Para Além das Cordilheiras, 1987]
26. Que Força É Essa [L e M: Sérgio Godinho; de Os Sobreviventes, 1971]
27. Confederação [L e M: José Mário Branco; de A Confederação, 1978]
1º encore:
28. Maré Alta [L e M: Sérgio Godinho; de Os Sobreviventes, 1971]
29. Inquietação [L e M: José Mário Branco; de Ser Solidário, 1982]
2º encore:
30. Na Ponta do Cabo [L e M: Fausto; de Crónicas da Terra Ardente, 1994]

sexta-feira, 23 de Outubro de 2009

Charadas #525

"Para titã, é macérrimo demais."

quinta-feira, 22 de Outubro de 2009

Música de liberdade em campo de tortura

Começa hoje. O Campo Pequeno, palco de barbárie aos outros dias, recebe hoje e amanhã, para um espectáculo daqueles que só se repetem de muitos em muitos anos, três dos maiores génios vivos da música portuguesa, José Mário Branco, Fausto e Sérgio Godinho, reunidos sob a designação "Três Cantos".
"Cinco meses de preparação, centenas de horas de ensaios, duas dúzias de músicos, 150 pessoas na produção, mais de 20 mil bilhetes vendidos. Sérgio, Fausto e José Mário ainda não subiram ao palco, mas já há quem lhe chame o concerto do ano", lê-se na edição de hoje do jornal i. E é bem capaz de ser verdade.
Para a semana, a 31 de Outubro e no dia seguinte, há mais duas apresentações, dessa vez no Coliseu do Porto.

Charadas #524

Toumani Diabaté de volta

Estava ontem anunciado na bilheteira do São Jorge: concerto de Toumani Diabaté, dia 30 deste mês, naquela sala.

O Tom Waits tem site

Parece uma notícia escrita em 1993 ou 1994, mas é, na realidade, perfeitamente actual. Tom Waits tem, finalmente, um site oficial, o qual, surpreendentemente que baste, tem o seguinte endereço: www.tomwaits.com. E... não, não há notícias de próximas digressões.

quarta-feira, 21 de Outubro de 2009

Ainda sobre Gimme Shelter e o Altamont Speedway Free Festival



"Gimme Shelter" faz seguramente jus ao que dele se tem falado ao longo dos anos, sob os mais diversos aspectos: a qualidade das gravações, bastante superior ao expectável; a inteligência na captura da reacção a frio estampada nos rostos de Jagger e Watts no decurso da montagem (a qual também é brilhante, por sinal) por oposição à que se observa entre todos os envolvidos perante a selvajaria descontrolada que se instala na frente do palco; a narrativa dos eventos, se assim se pode dizer, que poucas dúvidas parece deixar sobre o rumo trágico que a história tomará; a sugestão galopante da tensão existente entre o público e os Hell's Angels, sem tomar parte, mais do que o sensato, pelos primeiros, que também fizeram parte da equação de violência; e, claro, a reprodução de alguns dos mais interessantes momentos da música popular de finais dos anos 60, desde o "Jumpin' Jack Flash" a começar até ao "Gimme Shelter" a terminar, com incursões no meio por Ike & Tina Turner, numa prestação de "I've Been Loving You Too Long" carregadinha de sensualidade, os Jefferson Airplane, os Flying Burrito Brothers... Magnífico.

(Não pude deixar de pensar, durante boa parte do filme, nas prestações mais do que zelosas de seguranças de espectáculos realizados em Portugal. Nada que se aproxime, com toda a certeza, do que aconteceu na pista de corridas de Altamont, mas já vi muita coisa menos boa por parte de alguns destes profissionais. Felizmente, esqueci-me da maior parte delas, mesmo até daquelas sentidas no corpo, restando-me na memória apenas aquela ocorrida durante o concerto de Sepultura no Dramático de Cascais, em 1993. A desproporção da actuação dos seguranças de palco foi tão evidente que o próprio Max Cavalera, no final do concerto, para colocar a cereja no topo do bolo, atirou com a guitarra à cabeça de um dos seguranças...)

Altamont, hoje, no São Jorge

Hoje passa no DocLisboa "Gimme Shelter", o documentário sobre o festival que reuniu em Altamont, a 6 de Dezembro de 1969, Rolling Stones, Jefferson Airplane, Tina Turner e Flying Burrito Brothers, entre outros, e que ficou gravado na história do rock'n'roll pelos incidentes trágicos potenciados pelos Hell's Angels, responsáveis pela segurança do evento, e que culminariam no esfaqueamento de um elemento do público. Dele se diz ser o documento sobre o apogeu do rock, pelas melhores e piores razões. É às 19h30, na sala principal do São Jorge. Programação de hoje aqui.

Quem mais está a torcer pela vinda dos Pavement ao Primavera Sound 2010 ou ainda mais perto?


Foi o meu amigo Dário que primeiro me lembrou da possibilidade, muito wishful thinking, da participação dos Pavement, agora reunidos de novo, na próxima edição do Primavera Sound de Barcelona. O regresso do grupo, que começou por ser anunciado como apenas uma única data no Central Park de Nova Iorque, a Setembro de 2010, tem vindo a ganhar novos contornos de dia para dia. Àquela data única do Central Park, para a qual os bilhetes esgotaram em apenas dois minutos (!), juntaram-se mais três. Entretanto, os Pavement foram convidados para serem os curadores do All Tomorrow's Parties de Minehead, Inglaterra, entre 14 e 16 de Maio do próximo ano. Os bilhetes esgotaram uma vez mais em tempo recorde. Na manhã de hoje foram postos à venda, apenas para assinantes da O2, os bilhetes para mais outra data, 11 de Maio, agora em Londres, na Brixton Academy, a sala onde os Pavement deram o último concerto, já lá vão 10 anos. Também são conhecidas datas para a Austrália e a Nova Zelândia, a ocorrerem durante o mês de Março.
O Primavera Sound 2010 realiza-se entre 27 e 29 de Maio. Ai wishful thinking.

Charadas #523

"Não é o pintor português do século XVI, figura de relevo do renascimento por cá, mas é da família."