Quarta-feira, 14 de Maio de 2008

Momentos na história dos Negativland #1 



Negativland "Christianity is Stupid" (de "Escape from Noise", 1987)

Retirado de "Escape from Noise", o primeiro álbum gravado pelos Negativland para a SST Records, a editora originalmente associada ao movimento hardcore californiano (Black Flag, Minutemen, Meat Puppets, etc.), "Christianity is Stupid" explorava o tema do corte e colagem pelo efeito oposto que é possível obter quando se retira frases e palavras do contexto original. A voz que se ouve é do reverendo Estus Pirkle, no filme cristão baptista "If Footmen Tire You, What Will Horses Do?", onde, com a intenção contrária ao que soa o tema dos Negativland, aquele se referia à ameaça da invasão do comunismo na América com o exemplo de um regime totalitarista onde as colunas debitavam mensagens como esta para os cidadãos.
Para a digressão que se seguiu à edição de "Escape from Noise", os Negativland foram ainda mais longe e emitiram um press release inventado onde se afirmava que o tema tinha incitado um jovem a matar os seus pais à machadada, um caso real que abalou os EUA em 1988. A história correu rapidamente pelos meios de comunicação, que não se preocuparam em verificar outras fontes. De repente, os Negativland estavam no centro de uma polémica enorme, o que acabou por servir de conceito para o álbum seguinte, "Helter Stupid".

Entretanto, fica a notícia de que os Negativland vão também tocar em Serralves, no Porto, com o espectáculo "It's All In Your Head FM", a 18 de Maio. Dois dias antes, ou seja, na véspera do concerto em Lisboa, Mark Hosler, um dos elementos principais dos Negativland, vai estar na Faculdade de Letras da Universidade do Porto, para uma conferência que abordará certamente a posição crítica do colectivo no seio da indústria cultural ao longo de quase trinta anos, designadamente nas questões relativas a direitos de autores, sobre as quais se fala sempre que se pensa nos Negativland. Começa às 14h30.

A letter to Eva Braun 

Não os conheço, mas este cartaz tem que entrar nos anais dos cartazes de concertos:

MED de Loulé com... Zita Swoon? 

Já era muito interessante o anúncio da participação do mítico Solomon Burke no cartaz do próximo festival MED, que se realiza entre 25 e 29 de Junho em Loulé (ver notícia mais abaixo), mas ainda mais surpreendente, como diz o Luís Rei nas Crónicas da Terra, que dão a novidade, é a inclusão dos belgas Zita Swoon. Será para o dia 27 de Junho, o mesmo dia em que tocarão também os Deolinda.
Continuando com as novidades divulgadas pelas CdT, há ainda a esperar em Loulé, no último dia, os congoleses Konono no.1 (já não vão ao Mestiço, na Casa da Música, mas participam ainda na festa de Serralves, a 8 de Junho, e tocam no CCB, a 2 de Agosto).

Neil Young em versão aranha e Blu-Ray 

Está na Pitchfork. Um investigador da Universidade da East Carolina descobriu uma nova aranha e deu-lhe o nome... Myrmekiaphila Neilyoungi!
A notícia descobre ainda o véu sobre os arquivos de Neil Young, um dos projectos em que o músico de origem canadiana tem estado imerso nos últimos tempos. Está prevista para o próximo Outono a edição de uma primeira caixa com gravações antigas. Sairá, assim, em dez discos blu-ray (hum, quem é que tem blu-ray?) a primeira parte do Neil Young Archive, cobrindo a obra criada entre 1963 e 1972.
Neil Young tem um concerto marcado para o nosso país, mais precisamente a 12 de Julho, no âmbito do festival Alive.

Não seria tão bom... 

...que os Fuck Buttons cá viessem?

Terça-feira, 13 de Maio de 2008

O LX Factory. Onde? 

Há por aí gente que vem ter comigo a dizer que o concerto dos Negativland, no sábado (e, já agora, a etapa lisboeta dos Boris e Growing, no dia 27) é na ZDB. Também eu cheguei a pensar que era, mas não é. Apesar de produzidos pela ZDB, estes concertos vão ter lugar no LX Factory. Na sequência, há também quem pergunte pela localização exacta do LX Factory.
Muito bem, antes de mais, LX Factory é o nome da imobiliária que gere o projecto Test, on art-Centro de Arte Contemporânea, futuro novo espaço dedicado às artes em Lisboa, mais precisamente na zona do Calvário, em Alcântara, nas instalações da antiga Gráfica Mirandela (vejam notícia da TimeOut ou da RTP.
Melhor ainda, eis um mapa da localização:

O arquivo Sonic Youth 

KILL YR IDOLS
Sonic Youth & Side Projects Rarities Sharing
www.freewebs.com/sonikyouth

A epígrafe do site Kill Yr Idols diz tudo. Bootlegs de concertos (por exemplo, os do Campo Pequeno e do Coliseu dos Recreios), temas raros que saíram apenas em compilações ou em fanzines, sessões de estúdio, covers, tributos de outros músicos, lados B esquecidos no tempo, gravações dos projectos paralelos de Thurston Moore, Lee Ranaldo, Kim Gordon e Steve Shelley, etc. Quase tudo se pode descarregar neste arquivo imenso da obra dos Sonic Youth. É de loucos.
(Obrigado pela dica, Spinafro.)

Ainda não me tinha apercebido... 

...que este ano não há mesmo África Festival.
:(

Segunda-feira, 12 de Maio de 2008

O MySpace dos SMGETV 

No campo do experimentalismo das guitarras distorcidas, das escolas Sonic Youth, Swans ou My Bloody Valentine, ninguém por cá ousou chegar ao ponto que os Santa Maria Gasolina em Teu Ventre atingiram em "Free Terminator" (LP editado pela Ama Romanta em 1989) ou no EP sem título editado pelo grupo em 1991, onde constava o mítico "Go West, Céline", com a voz de Adolfo Luxúria Canibal. Este e outros temas estão agora de novo disponíveis para escuta, através do myspace criado para recordar os Santa Maria Gasolina em Teu Ventre. Salvé, Tom Anderson e companhia.
É ir aqui:
myspace.com/smgetv

Solomon Burke no MED 2008! 



A Câmara Municipal de Loulé deu na passada sexta-feira o primeiro passo na divulgação do cartaz do MED, que todos anos organiza. Foram divulgados apenas três nomes, por enquanto, e a (boa) surpresa para um festival que habitualmente centra as apostas nas músicas do mundo está na vinda de Solomon Burke, figura lendária do rock'n'roll e da soul (são músicas do mundo, não?), para um concerto no dia 27 de Junho. Os outros nomes são os do colectivo de DJs e MCs Balkan Beat Box (dia 25), que têm contribuído fortemente para que as músicas ciganas tenham uma presença cada vez mais forte nas pistas de dança alternativas, e o casal maliano Amadou & Mariam, que depois do inesquecível concerto no FMM Sines, há três anos, voltam a Portugal, para encabeçarem a noite de dia 28 no MED (também vão estar, no dia seguinte, no Festival Mestiço organizado pela Casa da Música).
O MED de Loulé vai decorrer entre 25 e 29 de Junho, na cidade de Loulé. Por enquanto, ainda não há mais novidades da organização, mas este é o site oficial onde serão divulgadas mais informações: www.festivalmed.com.pt

Vem aí mais um Out.Fest 

O Barreiro prepara-se para receber, no final desta semana, mais uma edição do Out.Fest - Encontros de Música e Imagem do Barreiro.
O cartaz dos concertos está assim alinhado:

No dia 16 (sexta-feira), no Auditório Municipal Augusto Cabrita, a partir das 21h30,
- David Maranha
- Uton
- One Might Add
- A Parte Maldita
- Peter Bastien

Dia 17 (sábado), no mesmo local e a partir da mesma hora,
- Flower/Corsano duo
- Ignatz
- Aluk Todolo
- Calhau!
- Agape

Paralelamente, decorre a exposição "Retratos a preto e branco", da fotógrafa Vera Marmelo, e a exibição de dois documentários: "Imagine the Sound", de Ron Mann, sobre o jazz vanguardista dos anos 60; "Global Metal", de Sam Dunn e Scot McFadyen, sobre o heavy metal. A exibição dos filmes tem também lugar no AMAC, nos dias 15 ("Imagine the Sound") e 22 ("Global Metal"), a partir das 21h30. Mais informações em www.outfest.pt.vu.
E, já que se fala em Sam Dunn, a CNN hoje publicou no seu site um artigo onde justamente cita o antropólogo do heavy metal, curiosamente intitulado Heavy metal and violence: More than a myth?

Provavelmente... 

...este concerto dos National teve o mesmo significado para a geração que hoje tem 20-25 anos e que hoje enchia a Aula Magna que o concerto dos Tindersticks, naquele mesmo local, teve para a minha geração.

Palminhas, palminhas 

Há quem seja pago para ir bater palminhas para os programas da Fátima Lopes ou do Fernando Mendes. Há quem pague para bater palminhas sempre que vai à Aula Magna.
(Mas, tirando a histeria do público, o espectáculo dos National foi muito, muito bom. Obrigado pela perseverança, Sílvia!)

Domingo, 11 de Maio de 2008

O legado do Fernando Magalhães 

O Fernando Magalhães deixou-nos há cerca de três anos. Um número substancial de leitores habituais ficaram orfãos de novos textos com um "FM" no final, onde, com a extensa base de conhecimento e o humor que era característico do Fernando, dava a conhecer músicas novas e antigas. Parte do legado crítico do FM começa agora a ter uma presença na net, através do seguinte blogue:
poeira-cosmica-fm.blogspot.com

Apesar de ser preciso subir muito até se encontrar a cabeça de Cope a pairar acima das nuvens, não quer dizer que o “acid head” esteja louco. Está é “alto” há uma quantidade de tempo. Mas já foi pior. Ele afirma que deixou de ingerir ácido há oito anos, preferindo actualmente os cogumelos e a erva. (...)
O fogo de Kundalini (energia sexual transmutada em energia mental, na iniciação tântrica) continua a subir pela espinha de Julian Cope até ao “chakra” (centro nervoso do corpo astral) superior da nuca, como se vê pela imagem da contracapa desta alucinada caixinha… Resta saber até quando conseguirá ele manejar as suas labaredas sem se queimar. Para já, o cérebro fugiu num foguetão.

(in crítica a "Interpreter", de Julian Cope, 23 de Outubro de 1996, suplemento Pop-Rock do Público.)

Sábado, 10 de Maio de 2008

Uma tarde pelo castelo 

Razões para dar hoje um pulo até ao Castelo de São Jorge:

- O António Pires mete discos das 15h às 17h;
- A Raquel Bulha mete discos das 18h às 20h;
- Os Anonima Nuvolari metem a dançar quem ainda estava parado lá por volta das 20h/21h.

Quinta-feira, 8 de Maio de 2008

Peditório The National 

Erm... bilhete, alguém vende?

Ao fado também se dança 

Os Deolinda ainda vão comer bastantes quilómetros de estrada e de céu por esse mundo fora. Numa opinião que não será unânime com a dos seguidores que esta noite esgotaram o São Jorge -- sim, os Deolinda estão agora a lançar o primeiro disco e já conseguem encher um espaço como o São Jorge -- estão ainda distantes de serem a grande revelação da música popular portuguesa após Madredeus, que servirão sempre de comparação, mas hão-de vir a pisar o mesmo caminho. A voz de Ana Bacalhau, quase sempre excelente, claudica porém em certos pontos, ora quando ataca frequências mais graves onde não se dá tão bem, ora quando, com alguma frequência até, esbanja na colocação de voz aquilo que perde na dicção (dirão que no canto lírico acontece o mesmo, mas nem é isso que se pede na música dos Deolinda, nem nunca a esse ponto se chega). No resto da banda, falta por vezes algo mais que as duas guitarras clássicas (que mal se ouviram, mas podia ser do sítio) e o contrabaixo para que aquela sequência de fados gingões, de chorinhos, de mornas e até de um quase tango (tudo família do fado, como se vê) chegue mais perto da perfeição. Mas se musicalmente poderia haver outro arrojo, é nas letras e nos ambientes criados pelas canções que chega a subversão dos Deolinda. Há o magnífico novo hino de Portugal, aqui e ali se afirma que ao fado também se dança, e num dos temas, Ana Bacalhau chega a encarnar com enorme à vontade a personagem de uma brasileira garçonette para explicar como a alegria e o ritmo também podem entrar no fado. Caso para dizer que, embora isso não seja culpa dos Deolinda, com tanta promoção ao lado sério, negro e melancólico do fado ao longo dos anos, seja agora preciso ir buscar uma personagem do outro lado do Atlântico para mostrar que afinal fado também pode ser acompanhado por um belo abanar de ancas...
À parte de tudo isto, houvesse casa de apostas onde se jogasse o futuro de grupos portugueses, a noite de hoje iria fazer toda esta gente apostar já nos Deolinda. Daqui a uns anos vão estar a fazer digressões pelo Japão!

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Quarta-feira, 7 de Maio de 2008

Hoje há Deolinda 

«O seu nome é Deolinda e tem idade suficiente para saber que a vida não é tão fácil como parece, solteira de amores, casada com desamores, natural de Lisboa, habita um rés-do-chão algures nos subúrbios da capital. Compõe as suas canções a olhar por entre as cortinas da janela, inspirada pelos discos de grafonola da avó e pela vida bizarra dos vizinhos. Vive com 2 gatos e um peixinho vermelho...»
(in myspace.com/deolindalisboa)

Os Deolinda, grupo de Lisboa que encontrou no fado e noutras expressões da música popular portuguesa o ponto de partida para as canções que faz, apresenta hoje o seu álbum de estreia no São Jorge, a partir das 21h30.

Terça-feira, 6 de Maio de 2008

Vem aí a MONSTRA 

Está aí às portas a sétima edição do MONSTRA, Festival de Animação de Lisboa, com muito cinema de animação para ser visto entre 8 e 18 de Maio, em espaços como o Teatro Maria Matos, o Cinema São Jorge, o Cinema King ou o Museu do Oriente. A programação é bastante extensa e inclui uma retrospectiva da cinematografia inglesa (desde os pioneiros aos estúdios Aardman), a secção de competição de curtas-metragens (depois das longas-metragens do ano passado) e programas infantis e juvenis, entre muitas outras actividades.
Na próxima quinta-feira, a abertura do festival vai ser feita com um espectáculo encomendado ao duo Ela-Não-É-Francesa-Ele-Não-É-Espanhol, que desta vez terá um nome ainda mais comprido (junte-se "...Mas-Ele-É-Inglês"), em virtude da colaboração ao vivo com o realizador Thomas Hicks. Vai ser no Maria Matos e começa às 21h30. Nos outros dias, haverá concertos de Rubber Soul Project (dia 9), de München e JP Simões (dia 10) e do Ensemble JER (dia 16). Estão também previstas diversas sessões de giradisquismo no café do Maria Matos.
Para mais informações, é favor visitar o www.monstrafestival.com

Segunda-feira, 5 de Maio de 2008

Prova de vida 

Houve, por alturas da edição de "Alles Wieder Offen", uma facção da crítica que se propôs a caracterizar os Einstürzende Neubauten como um projecto cristalizado no tempo, sem a ousadia de outrora. Não é novidade. Já o mesmo vinha a ser dito, aqui e ali, sempre que se falava de um álbum novo para os berlinenses. Mesmo a propósito, esta noite, na Aula Magna, ao longo de mais duas horas, quase todos os temas tocados pelos Einstürzende Neubauten foram criados nos anos mais recentes. E o espectáculo foi... tremendo. Não só a maior parte dos temas eram novos (destaque para as magníficas versões ao vivo de "Let's Do it a dada", de "Weil Weil Weil" ou de "Susej", a tal que usava o som percussivo da guitarra de Blixa Bargeld em 1982), como até houve oportunidade para demonstrar ao vivo o sistema de cartas DAVE, do qual Alex Hacke falava aqui, para apresentar ao público um tema inédito por natureza. O público também merece ser destacado. Nem parecia a Aula Magna, palco habitual para urros no meio das músicas, palmas a marcar o ritmo e outras histerias afins. Até o próprio Blixa fez o elogio: "esta já é a nossa 13ª ou 14ª data da digressão e não encontrámos um público tão bom [ok, isto é banal] e tão... disciplinado [isto sim, é novidade] como este".

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Sexta-feira, 2 de Maio de 2008

\oo/ 

1. Sentar na esplanada.
2. Mandar vir cerveja.
3. Ligar o leitor de MP3.
4. Colocar os auscultadores.
5. Escolher um destes:



6. Voltar ao passo 2 e repetir, até aparecer algum amigo.

BORIS!
(Concerto mais aguardado de Maio, aqui por estas bandas.)